A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS inicia nesta semana a análise de requerimentos que podem redefinir os rumos da investigação sobre fraudes bilionárias no sistema previdenciário brasileiro. Com a oposição no comando da comissão, a expectativa é de que o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), seja um dos primeiros convocados a prestar esclarecimentos.
Fraudes no INSS: O Estopim da CPI
A CPI foi instalada para apurar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, revelado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos possa ultrapassar R$ 6,3 bilhões. Associações teriam forjado cadastros e validado cobranças mensais sem autorização dos beneficiários, sem oferecer qualquer serviço real.
Oposição no Controle: Derrota do Governo
A eleição da cúpula da CPI representou uma reviravolta política. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), da oposição, foi eleito presidente com 17 votos, derrotando o candidato governista Omar Aziz (PSD-AM). A relatoria ficou com o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, contrariando a indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta.
Essa configuração acendeu o alerta no Palácio do Planalto, que agora tenta conter os danos e evitar que a comissão se torne um palco de desgaste político para o governo Lula.
Requerimentos em Foco
Mais de 800 requerimentos já foram apresentados, incluindo pedidos de convocação de servidores, quebra de sigilos e depoimentos de autoridades. Carlos Lupi, que deixou o cargo após a operação da PF, está entre os nomes mais cotados para comparecer à comissão.
O relator Alfredo Gaspar já sinalizou que pretende ampliar o escopo das investigações para incluir possíveis fraudes em empréstimos consignados, outro ponto sensível para beneficiários da Previdência.
Disputa de Narrativas
Enquanto a oposição busca responsabilizar figuras ligadas ao atual governo, aliados de Lula tentam associar o início das fraudes à gestão anterior, de Jair Bolsonaro. A disputa pela narrativa será um dos elementos centrais da CPI, que tem prazo inicial de seis meses para concluir os trabalhos, podendo ser prorrogado.